Ouro, Prata e Bronze: conheça a história por trás dos queijos premiados da queijaria curitibana Vaca Profana

Ouro, Prata e Bronze: conheça a história por trás dos queijos premiados da queijaria curitibana Vaca Profana

A queijaria Vaca Profana ganhou três medalhas na 8ª edição do Prêmio Queijo Brasil – o Paraná foi o segundo estado mais premiado.

 

Uma pequena queijaria urbana, em um bairro famoso de Curitiba, foi premiada não apenas uma, mas três vezes, no principal prêmio de queijos artesanais do Brasil. É a Queijaria Vaca Profana, da publicitária Maristela Dalla Lasta, que começou a fazer queijos há 5 anos, para sobreviver na pandemia – assim como os queijos, a queijaria tem uma história bem interessante.

Depois de 25 anos trabalhando com publicidade, na pandemia a Mari acabou precisando mudar de ares. Como sempre gostou de cozinhar e tinha colônias de Kefir em seu sobradinho, resolveu tentar fazer queijo usando o fermentado. Deu certo, e depois dali  vieram vários outros queijos, frescos ou maturados, resgatando métodos ancestrais, como se fazia queijo antigamente. Atualmente ela já fez vários cursos queijeiros, e já recebeu diversos prêmios para a queijaria.

Queijos da Vaca Profana (foto: Carol Moreno)

 

A Queijaria Vaca Profana tem produção artesanal, toda feita pela Mari, e fica no centrinho de Santa Felicidade. Pode ser visitada de quinta a domingo, e tem um espaço aberto bem gostoso e aconchegante nos fundos da casa. A Mari costuma fazer eventos por lá, como brunch com moda de viola – nesta sexta (25/jul) vai acontecer um happy hour de degustação dos queijos premiados em Blumenau, com vinho e música ao vivo. @queijariavacaprofana

Muito feliz em trazer essas medalhas e fazer parte de um pouco da história do queijo paranaense. Para minha surpresa e alegria, vieram três medalhas, estou muito feliz. Esse prêmio veio pra dar apoio, porque é um trabalho bem cansativo, diário, não tem final de semana, não tem feriado,todos os dias. E isso que as vacas são terceirizadas. Para o produtor de leite, esse trabalho é ainda maior” conta Mari sobre o que representa essa premiação.

Mari e suas medalhas no Prêmio Queijo Brasil (foto: Vaca Profana)

 

Cada queijo é único e traz uma história

Conversar com a Mari é sem dúvida o ponto alto da visita à queijaria – além, claro, de provar seus queijos incríveis e super diferentes. Seus olhos brilham quando ela conta sua história, e compartilha um pouco dos percalços do trabalho, entre testes, erros e acertos.

Dá pra sentir o amor que ela tem pela queijaria e também seu espírito inovador – ela adora testar novos sabores, ingredientes diferentes e novas formas de fazer o queijo.   

Cada queijo é único. Mesmo sendo feito com os mesmos insumos, é diferente em cada local. É a mão queijeira, é o terroir... Tem queijos que eu produzo aqui, que seu fizer em qualquer outro local, mesmo em Curitiba, vai ficar diferente. Aqui na queijaria já tenho minha microbiota, e outras coisas também influenciam, como altitude e umidade do ar. Tudo isso faz o produto ser tão único, e tão maravilhoso”, conta Mari.

Detalhes da queijaria (foto: Carol Moreno)

 

Conheça a história por trás dos queijos premiados da Vaca Profana

A queijaria Vaca Profana recebeu três medalhas no 8º Prêmio Queijo Brasil: ouro por suas Trufas de Gorgonzola, prata por seu Novelinho da Vovó e bronze pelo Brunost / Paranost Tropical. Conversamos com a Mari para conhecer a história por trás de cada um de seus queijos premiados.

 

1. OURO: TRUFAS DE GORGONZOLA

As Trufas de Gorgonzola da Mari, que levaram o ouro, tem uma receita secreta. A base é um queijo azul feito com cepas próprias, junto com outro queijo autoral, banhados em chocolate branco.

Ele foi criado para uma comemoração  entre amigos. Ia acontecer a festa de 15 anos da filha de uma amiga da Mari, e as amigas iam se encontrar na queijaria para comemorar. A ideia da Mari foi criar algo especial e doce para o encontro: “Juntei dois queijos que eu tinha e dei um banho de chocolate preto – ficou bom, mas depois descobri que com chocolate branco ficaria ainda melhor, e bingo!” revela Mari, sobre o processo de criação das premiadas Trufas de Gorgonzola.

Mari, seus queijos e suas medalhas (foto: José Fernando Ogura)

 

2. PRATA: NOVELINHO DA VOVÓ

O Novelhinho da Vovó, que ganhou a prata no concurso, foi inspirado no Queijo Oaxaca, mexicano, que tem o formato de novelo e massa filada.  A Mari quis recriar memórias da infância nos anos 80, desfiando o queijo nozinho, e se inspirou no clássico queijo mexicano na sua criação. O queijo rapidamente se tornou o favorito de seus netos – como o formato lembra um novelo, ele foi batizado de Novelinho da Vovó.

NOTA DA EDITORA: fui para o México em 2023 e comi muito queijo Oaxaca por lá, adorei. E olha, o queijo da Mari não deixa nada a desejar para o Mexicano! Claro que é diferente (como ela mesmo falou, tem muitos fatores que importam na fabricação do queijo, com terroir, raça das vacas, altitude etc), mas vale muito a pena experimentar.

Novelinho da Vovó da Queijaria Vaca Profana (foto: Carol Moreno)

 

3. BRONZE: QUEIJO BRUNOST NA VERSÃO TROPICAL PARANOST

Esse é um queijo muito diferente – e até intrigante, na definição da Mari. O Queijo Brunost é um queijo norueguês marrom (Brun siginifica marrom em norueguês, o Ost, queijo), feito com soro do leite (whey protein puro). A Vaca Profana é a única produtora de queijo Brunost no Brasil.

Olhando, nem parece queijo. Lembra um doce de leite, e tem notas de caramelomas não é doce, nem salgado (não é adicionado açúcar, nem sal). O sabor é delicioso, mas realmente causa uma confusão mental, entre a aparência e o sabor. O Brunost da Mari recebeu o nome de Paranost, por ser uma versão tropical, paranaense, do original norueguês, e foi premiado com medalha de bronze no concurso.

NOTA DA EDITORA: experimentei o Brunost da Mari em uma harmonização de Queijos e Cafés feita em parceria com a Argenta Cafés. É realmente um queijo muito diferente, com sabor inusitado, mas muito gostoso.

Queijo Brunost servido com tâmaras (foto: Carol Moreno)

 

Paraná se destaca no 8º Prêmio Queijo Brasil

A oitava edição do Prêmio Queijo Brasil aconteceu neste mês em Blumenau, e teve mais de 2.200 queijos inscritos. O Paraná foi o segundo estado mais premiado no concurso, ficando atrás apenas de Minas. Foram 165 queijos premiados no estado, um número quase 28% maior do que os prêmios recebidos no ano passado: foram 47 medalhas de ouro, 66 de prata e 52 de bronze. @premioqueijobrasil

Os queijos parananenses premiados foram produzidos por 51 queijeiros diferentes. E o destaque no estado foi para a queijaria Delícias Beni, de Jandaiá do Sul, que foi escolhida a melhor do Paraná, com seu queijo muçarela nozinho, que recebeu a medalha de ouro.

Entre os associados da Aproqueijos Paraná (Associação dos Produtores de Queijo e Derivaodos de Leite – Leste do Paraná), foram 41 medalhas recebidas no total. @aproqueijopr

Em Curitiba, além da queijaria Vaca Profana, foi muito premiada a queijaria Mozzarelart, que ganhou 9 medalhas no total: foram 2 ouros com Burrata e Mozzarellina, 6 pratas com Ricotta, Scamorza, Caciotta al Peperoncino, Caciotta, Stracchino e Fior di Latte, e 1 bronze com Caciotta al Pepe Nero.

Nós e a Mari (foto: Guilherme Lages Santos)

 

Serviço

Queijaria Vaca Profana

R. Ângelo Slompo, 300, Santa Felicidade

De quinta a domingo

@queijariavacaprofana