Onde comer em Curitiba as Ostras do Cabaraquara, novo selo de Indicação Geográfica do Paraná

Onde comer em Curitiba as Ostras do Cabaraquara, novo selo de Indicação Geográfica do Paraná

Com mais essa IG o Paraná se torna o estado com mais Indicações Geográficas do Brasil, com 22 selos no total - confira onde provar a iguaria em Curitiba

 

As Ostras do Cabaraquara (em Guaratuba) acabam de receber o selo de Indicação Geográfica. Com essa conquista, muita gente deve estar querendo experimentar essa iguaria paranaense.

Você pode visitar a região de Cabaraquara, em Guaratuba, e provar as ostras em um dos vários restaurantes locais – mas também pode fazer isso sem sair de Curitiba.

O bar A Ostra Bêbada, que fica no centro da cidade, compra suas ostras com os criadores de Cabaraquara desde que o bar abriu, viajando até lá duas ou três vezes por semana, para oferecer os produtos sempre frescos no bar.

Os bares e restaurantes que servem as Ostras do Cabaraquara ainda vão ser certificados pelo INPI, a IG acaba de sair e o processo leva um tempo. 

Com mais essa IG, o Paraná chega agora a 22 produtos com o selo, tornando-se o estado brasileiro com mais indicações geográficas. Só neste ano foram 8 produtos que receberam o selo de IG no estado do Paraná: carne de onça de Curitiba, broa de centeio de Curitiba, ponkan de Cerro Azul, cracóvia de Prudentópolis, café de Mandaguari, urucum de Paranacity, queijo colonial do Sudoeste do Paraná e ostras do Cabaraquara.

Área de cultivo das ostras do Cabaraquara - sítio Belém (foto: Inove)

 

As ostras do Cabaraquara estão entre as melhores do mundo, esse reconhecimento vai proporcionar crescimento econômico para os maricultores. Essa é a 22ª Indicação Geográfica do Paraná, o que nos faz o primeiro lugar em Indicações Geográficas no Brasil” conta Sérgio Medeiros, cooordenador do Fórum Origens, plataforma que valoriza as Indicações Geográficas do Paraná, e proprietário da Curitiba Honesta.

No último sábado (25) o Tour de Boteco estreou no Ostra Bêbada e os participantes do premiado passeio por bares  tiveram a oportunidade de provar as típicas ostras do Cabaquara, em duas versões: in natura e gratinada.

Tour de Boteco na Ostra Bêbada

 

Conversamos com o Rafael Fusco, sócio do Ostra Bêbada, para conhecer mais sobre as Ostras do Cabaraquara, que acabam de receber o selo de IG e que podem ser apreciadas no bar A Ostra Bêbada, tanto em Curitiba como em Paranaguá.

 

Quando se fala em ostra em Curitiba, automaticamente a gente pensa no Ostra Bêbada. Na época em que vocês criaram o bar, imagino que não tinham nem ideia do tamanho da repercussão que teria. Conta um pouco dessa trajetória/história pra gente?

(Rafael Fusco:) A ligação com frutos do mar vem de família, crescido comendo caranguejada e bacalhau nas datas comemorativas, e todo tipo de frutos do mar nas férias, sempre em alguma praia. Juntos, eu e o Cintra, posso dizer que os primeiros envolvimentos com frutos do mar foram nas viagens que fazíamos adolescentes. Catando mariscos para cozinhar pra turma, comprando camarão, ostras e caranguejo nas bancas ou que a gurizada vem oferecer, fosse nas Ilhas do Superagui, Ilha do Mel, baías de Paranaguá e Guaratuba, ou nas praias de Santa Catarina, ricas em frutos do mar e de um sabor bem diferente, salgados do mar.

Desde o início foi um desafio, vender ostras em Curitiba, cidade fria, e no Centro, largado na época, em um bar de 49m² e sem estacionamento. Escutamos muita gente dizer que não ia dar certo. Só que a nossa intenção era justamente quebrar esses paradigmas, você poder desfrutar de boas comidas do mar na calçada de um boteco, sem precisar sentar em um restaurante de serviço completo. A gente já tinha o Pizza, um modelo de loja pequena também, voltado pra rua.

A inspiração maior foi conhecer os bares de Tapas na Espanha e outros bares no Sul da Itália. Pequenas portinhas com uma banca enorme na frente, todo tipo de frutos do mar dispostos sobre o gelo, vindo de vários lugares da região, sempre prezando pelos produtores locais. O movimento Slow Food já era forte há muito tempo por lá. E comer na rua, sardinhas na brasa por toda a calçada, taças de espumante, aperitivos, azeitonas e todo tipo de embutidos. 

Abrir o Ostra foi uma amarração dessa história pessoal com a ideia de um negócio novo, em formato e produtos, porque aí a gente saiu para caçar produtores locais que nem sempre chegam no mercado curitibano. Porque falta logística, ou porque a logística de pescados de SC é muito eficiente e acaba sendo mais fácil para o dono de restaurante. Tanto é que só nós temos as Ostra do Cabaraquara no cardápio.

Ostras In Natura da Ostra Bêbada (foto: Carol Moreno)

 

Comprar de produtores locais – hoje em dia não é incomum escutar essa frase, mas há alguns anos, pouca gente tinha essa preocupação. Você compra dos criadores de Cabaraquara há anos e conhece bem o trabalho do pessoal de lá – o que você considera ser o diferencial das Ostras do Cabaraquara? Conseguir uma indicação geográfica não é fácil, conta um pouco mais pra gente sobre o trabalho deles?

(Rafael Fusco:) Conhecer o Cabaraquara foi uma maravilha pra gente, porque ali encontramos pessoas muito comprometidas com a maricultura, das ostras e do marisco bacucu. O trabalho com as ostras é pesado, como carregar e cuidar de pedras, sabendo que ali dentro estão vivos pequenos moluscos de carne frágil e filtradores da água em que estão inseridos. Qualquer alteração ambiental e a ostra é a primeira a saber.

E a turma teve ali muita pesquisa e projetos conduzidos por cursos diversos da UFPR e outras entidades. Projeto de sementes, análise constante de água, trabalhos de graduação e de pós, pessoas e setores que em algum momento se voltaram para aquela pequena região e dali produziram um grande volume de conteúdo. E a partir daí também ações, capacitação, compra de equipamentos, campanhas e obras ambientais.

Tudo centralizado na Aguamar, Associação dos Maricultores. O Selo de Produto de Indicação Geográfica é um resultado desse trabalho. O SEBRAE que tão forte tem atuado junto aos empreendedores, abre e aponta o caminho, mas é o pessoal do dia a dia que constrói e organiza todo o material necessário para conseguir o certificado. E é um trabalho incansável e constante, de melhoria e eficiência ao cultivo, de apoio a outros produtores, criação de outros pólos de cultivo no Paraná.

Nós, como equipe dA Ostra Bêbada, com certeza ficamos muito felizes em fazer parte dessa história, trazendo e divulgando esse produto, seus produtores e restaurantes do Cabaraquara.

Viva as Ostras e viva o Cabaraquara! @aostrabebada

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Sobre as Ostras do Cabaraquara

As ostras do Cabaraquara receberam o IG por ter um sabor leve e adocicado e representar “um santuário ecológico onde diversas fazendas marinhas e restaurantes realizam a produção e comercialização de ostras, sendo a ostreicultura a principal atividade econômica realizada na área geográfica”.

Ostras do Cabaraquara - Sitio Sambaqui (foto: Adriano Oltramari)

 

O processo da obtenção do selo começou em 2022, com diagnóstico da ostra e resgate histórico, buscando fortalecer a identidade cultural, econômica e o estimular a renda dos ostreicultores.

A Aguamar (Associação Guaratubana de Maricultores) conta com cerca de 10 produtores atuando na maricultura, com produção de cerca de 80 mil dúzias por ano. O cultivo na região é caracterizado pela produção artesanal familiar e teve início nos anos 1990, como uma alternativa sustentável à pesca extrativista.

O Fórum Origens Paraná visitou o local e conheceu como é o cultivo da ostra (foto: Inove)

 

Indicações Geográficas do Paraná

A Indicação Geográfica é concedida a produtos ou serviços de uma região que apresentem características únicas e diferenciadas, relacionadas ao seu território, tradição e modo de produção, representando a identidade e o valor histórico e cultural das comunidades.

O Paraná agora tem 22 Indicações Geográficas:

- Carne de onça de Curitiba

- Broa de centeio de Curitiba

- Cracóvia de Prudentópolis

- Café de Mandaguari

- Urucum de Paranacity

- Queijo colonial do Sudoeste do Paraná

- Ostras do Cabaraquara

- Mel de Ortigueira

- Queijos coloniais de Witmarsum

- Cachaça e aguardente de Morretes

- Melado de Capanema

- Cafés especiais do Norte Pioneiro

- Morango do Norte Pioneiro

- Vinhos de Bituruna

- Goiaba de Carlópolis

- Mel do Oeste do Paraná

- Barreado do Litoral do Paraná

- Bala de banana de Antonina

- Erva-mate de São Mateus

- Camomila de Mandirituba

- Uvas finas de Marialva

- Mel de melato da bracatinga do Planalto Sul do Brasil (Indicação Geográfica concedida a Santa Catarina que envolve municípios do Paraná e do Rio Grande do Sul).

Além dos produtos que já receberam o selo, o Paraná ainda tem 9 produtos com pedido protocolado junto ao INPI, aguardando o selo: mel de Prudentópolis, caprinos e ovinos da Cantuquiriguaçu, ginseng de Querência do Norte, tortas de Carambeí, pão no bafo de Palmeira, cervejas artesanais de Guarapuava, café da serra de Apucarana, mel de Capanema e acerola do munícipio de Pérola.

 

Em tempo: está sendo produzida uma websérie com dez episódios, pelo cozinheiro Rui Morschel, com curiosidades e histórias de produtos reconhecidos com IG’s em todo o país. A produção é fruto de uma parceria com a Associação Brasileira de Indicações Geográficas (ABRIG) e tem novos episódios publicados toda quarta-feira no perfil @rui.morschel

 

(foto de capa: Inove)